Conceitos da psicanálise


  • O que é o grande Outro?

    Dizem que o grande Outro é a mãe ou quem faz a função materna. Mas também dizem que o grande Outro são as instituições, escolas, etc.

    Sempre ouvi dizer que o grande Outro é a linguagem, o inconsciente, a cultura.

    O grande Outro é tudo isso mas principalmente esse “sujeito” oculto que aparece na frase, essa instância sem nome que parece tudo saber.

    O grande Outro é tudo aquilo que antecede e se conecta àquilo que torna alguém humano.

    Fazer análise possibilita se dar conta disso, desse oculto que possibilita a existência e que não precisa ser tão grande assim….E apesar de estar sempre ali…como na frase: “Dizem que…. ” com o percurso de análise pode-se deslocar esse anônimo tão onipotente e colocar um pronome assinando um dizer próprio.

    31 de março de 2026

  • O que é transferência na psicanálise?

    Transferência não é passar algo de um lugar para outro. Também não é transferir no sentido de deixar uma marca, como uma maquiagem.
    Transferência é como uma ponte sedutora. O sujeito conhece esse caminho. Aliás, foi um dos primeiros caminhos e, muitas vezes, o único, é por onde aprendeu a atravessar as relações de amor. Um caminho familiar na história do sujeito, mas desconhecido em sua própria natureza.
    Transferência é a história singular e inconsciente pela qual os outros parecem assumir, à revelia, personagens dessa história.
    É assim que o analisante vê o analista: com as cores familiares do Outro. O atraso do analista pode ser sentido como descaso, falta de amor, preferência por outro analisante, ou mesmo como um modo de testar o amor. E fora da clínica, não é assim também?
    Essa ponte, tão atraente, é um convite inconsciente à repetição.
    Na análise, trata-se de poder reconhecê-la. Não para evitá-la, mas para que o sujeito possa, pouco a pouco, perceber por onde costuma atravessar suas relações.
    O analista não está do outro lado da ponte esperando o analisante chegar, mas ao lado, sustentando o espaço em que algo dessa travessia pode ser interrogado.
    E, quem sabe, a partir daí, algo do desejo do analisante — sempre singular — possa encontrar outros caminhos.
    Porque, no fundo, é essa mesma ponte que torna possível as relações.

    14 de março de 2026

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